Na terça-feira, 16 de setembro, a Fundação Getulio Vargas divulgou o IGP-10 de setembro. O índice geral de preços subiu 1,47%, revertendo a queda de 0,51% registrada em agosto. No acumulado de 12 meses, o indicador soma 3,29%.
Parece assunto de mercado financeiro, longe de quem fabrica sob medida. Não é. Dentro desse número tem o custo do material que sai da sua conta todo mês, e tem um recado direto pra quem calcula orçamento com o preço da última compra.
Quanto subiu o IGP-10 de setembro de 2026
O que empurrou o número para cima foi o Índice de Preços ao Produtor, que tem peso de 60% no cálculo e mede o custo de insumo industrial e agropecuário antes de chegar no balcão. Segundo a FGV, ele subiu 1,90% em setembro, depois de ter caído 0,69% no mês anterior.
A própria FGV aponta que parte da alta reflete a incerteza climática com o El Niño se fortalecendo, mexendo com a expectativa da safra de grãos 2026/27, que ainda está sendo plantada. Ou seja, é preço de insumo se movendo lá atrás na cadeia, antes de virar produto na prateleira.
O pedaço do índice que fala com quem constrói
Material acelerando e mão de obra ainda em alta são os dois lados da conta de qualquer oficina. Um entra pela nota do fornecedor, o outro entra pela folha ou pela diária do ajudante. Quando os dois sobem no mesmo mês, o orçamento antigo aperta dos dois lados ao mesmo tempo.
Por que o preço ao produtor importa para uma marcenaria
A corrente tem quatro elos, e é sempre a mesma. Primeiro o produtor, que vende aço, alumínio, madeira, areia, cobre, resina. Depois a indústria, que transforma isso em chapa, perfil, MDF, vidro, cabo, tubo. Depois o seu fornecedor, que repassa o reajuste dentro da nota, sem aviso e sem alarde. E no fim a sua conta, que continua com o preço do mês passado.
Ninguém liga avisando que o seu custo mudou. O aumento aparece numa nota fiscal comum, no meio de uma compra de rotina.
Não existe prazo exato para essa viagem. Depende do estoque do fornecedor, do giro do material e de quanto ele está distante do produtor. Em material importado ou de giro rápido, pode chegar já na próxima compra.
O aumento chega no seu custo antes de chegar na sua atenção
Repare que nenhum desses casos é erro de execução. O móvel ficou bom, o portão ficou reto, o box não vaza. O erro está na conta que foi feita antes, com um custo que já não existia mais no dia em que o orçamento foi enviado.
Quem fecha o mês no vermelho não é quem trabalhou mal. É quem cobrou um preço calculado com um custo vencido. E como isso não aparece em nenhum lugar durante o mês, a descoberta vem tarde, no extrato, quando o serviço já foi entregue e a nota já foi emitida.
Isso não quer dizer que todo mês vai ter alta. O índice também cai, e caiu em agosto, quando recuou 0,51%. O ponto não é reagir a cada divulgação da FGV. É não ficar um ano inteiro sem olhar o próprio custo, porque é esse atraso que come a margem em silêncio.
Três contas que dá pra refazer nesta semana
Nenhum dos três passos leva mais que uma tarde, e os três juntos já mostram o tamanho do buraco.
- Pegue o telefone e peça a cotação de hoje do material que mais pesa no seu custo. Não use a última nota como referência.
- Refaça a conta do último serviço que você entregou, com quatro linhas: material, mão de obra, deslocamento e desgaste de ferramenta. Compare com o valor cobrado.
- Ajuste a tabela ou o modelo de orçamento antes do próximo serviço. O reajuste não precisa ser grande, precisa existir e vir do custo de agora.
Se a diferença entre o que você cobrou e o que o serviço custou for menor do que você imaginava, o ajuste é agora, não daqui a seis meses. O que decide o resultado do seu negócio é a distância entre o dia em que o custo mudou e o dia em que o seu preço percebeu isso.
O que costumam perguntar sobre isso
- O que é o IGP-10?
- É um índice da Fundação Getulio Vargas que mede a variação de preços entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte. Ele combina três índices: preço ao produtor, com peso de 60%, preço ao consumidor, com 30%, e custo da construção civil, com 10%.
- O IGP-10 de setembro de 2026 subiu ou caiu?
- Subiu 1,47%, segundo a FGV, revertendo a queda de 0,51% registrada em agosto. No acumulado de 12 meses o índice soma 3,29%. A alta foi puxada pelo preço pago ao produtor, que subiu 1,90% no mês depois de ter caído 0,69% no anterior.
- Quando o aumento do índice chega no meu fornecedor?
- Não existe prazo fixo. O reajuste costuma levar de algumas semanas a poucos meses para aparecer na nota, dependendo do estoque do fornecedor e da distância dele na cadeia. Em material importado ou de giro rápido, pode chegar já na próxima compra.
- Como saber se o meu preço está defasado?
- Refaça a conta de um serviço que você já entregou usando o preço de material de hoje, somando material, mão de obra, deslocamento e desgaste de ferramenta. Se a margem que sobra for menor do que a que você calculou quando fechou o orçamento, o seu preço está defasado.
- Preciso reajustar o preço toda vez que um índice sobe?
- Não. Índice sobe e desce o ano inteiro, e o IGP-10 caiu em agosto antes de subir em setembro. O que precisa existir é uma revisão periódica do custo, mensal ou a cada lote de orçamento, para que o preço acompanhe o custo real em vez de ficar preso ao número da última vez que você parou pra calcular.
Quem fecha essa distância primeiro protege a margem
Índice de preço sobe e desce o ano inteiro, e isso ninguém controla. O que dá pra controlar é a rotina que faz o seu preço acompanhar o seu custo, em vez de descobrir a diferença no fim do mês. Quem tem essa rotina ajusta um pouco, com frequência, e quase nunca sente o tranco.
Quem não tem continua entregando serviço bom por um preço que foi calculado numa realidade que já passou. Se você quiser conversar sobre como organizar isso dentro do seu negócio, sem compromisso, é só chamar.